A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a acender um alerta no agronegócio brasileiro. O foco da preocupação está no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.
Com a intensificação da guerra na região, a passagem chegou a ser bloqueada temporariamente, o que gerou preocupação nos mercados internacionais e elevou o risco de aumento nos preços do petróleo.
Como consequência, o impacto pode ser sentido diretamente no preço do diesel, combustível fundamental para a produção agrícola e para o transporte de grãos no Brasil.
Nos mercados globais, os efeitos já começam a aparecer. O barril do petróleo tipo Brent ultrapassou a marca de US$ 100, acumulando alta nas últimas semanas, segundo dados do mercado internacional.
Diesel é custo estratégico para o agronegócio
Para o agronegócio brasileiro, o impacto potencial é direto. O diesel está entre os principais custos operacionais das atividades agrícolas, além de ser essencial para o transporte de insumos e da produção.
Tratores, colheitadeiras, caminhões e máquinas agrícolas dependem diretamente desse combustível. Portanto, qualquer aumento expressivo no preço do diesel tende a pressionar o custo de produção no campo.
Além disso, o Brasil importa entre 20% e 30% do diesel que consome, o que torna o país sensível às oscilações do mercado internacional de petróleo.
Consequentemente, crises geopolíticas que afetam a oferta global de petróleo podem se refletir rapidamente nos preços internos.
Entidades do agro pedem medidas ao governo
Diante desse cenário, entidades do setor agropecuário já começaram a se mobilizar. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério de Minas e Energia a adoção de medidas que ampliem a oferta de combustível no país.
O objetivo é reduzir possíveis pressões sobre os preços e evitar impactos mais severos sobre a cadeia produtiva do agronegócio.
Entre as propostas apresentadas pela entidade está o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel, passando dos atuais 15% para 17% (B17).
Segundo a CNA, a medida poderia ampliar a disponibilidade de combustível no mercado doméstico e, ao mesmo tempo, reduzir o impacto de eventuais altas internacionais do petróleo.
Biodiesel pode funcionar como proteção energética
No documento encaminhado ao governo, o presidente da CNA, João Martins, destacou que ampliar a participação do biodiesel pode funcionar como uma estratégia de proteção diante de crises internacionais.
“Em um cenário de tensões geopolíticas e volatilidade no preço do petróleo, ampliar a participação do biodiesel representa uma medida importante para fortalecer a segurança energética e reduzir pressões sobre os custos logísticos”, afirmou.
Além disso, a confederação lembra que episódios recentes de tensão global já provocaram impactos semelhantes. No início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022, por exemplo, o preço do barril de petróleo chegou a subir cerca de 40%, pressionando os valores do diesel no Brasil.
Produtores relatam aumento e atraso no diesel
No campo, produtores rurais já relatam sinais de preocupação com a disponibilidade e com o custo do combustível.
Em algumas regiões, há relatos de aumento nos preços do diesel e atrasos na entrega do produto, situação que pode comprometer operações agrícolas, especialmente durante períodos críticos de plantio ou colheita.
Esse cenário preocupa o setor porque o diesel representa uma parcela significativa dos custos logísticos da produção agrícola brasileira, principalmente no transporte de grãos por longas distâncias até os portos.
Assim, qualquer instabilidade no abastecimento ou aumento abrupto de preços pode impactar diretamente a competitividade do agronegócio no mercado internacional.
Agro acompanha cenário internacional com atenção
Diante da instabilidade geopolítica, especialistas apontam que o agronegócio brasileiro deve acompanhar com atenção os desdobramentos da guerra no Oriente Médio.
Isso porque conflitos em regiões estratégicas para o comércio de petróleo costumam provocar volatilidade nos preços de energia, o que afeta diretamente os custos de produção e logística no campo.
Portanto, enquanto o mercado monitora a evolução das tensões internacionais, produtores, entidades do setor e governo buscam alternativas para reduzir os impactos sobre o abastecimento e sobre os custos do diesel no país.
