Safra 25: colheita de café avança pelo Brasil com cenário variável no Sul de Minas

por | jun 2, 2025

A colheita de café já começou em diversas regiões produtoras do país, marcando oficialmente o início de mais uma safra. Segundo o pesquisador André Moraes, da Fundação Procafé, as atividades estão mais avançadas no Espírito Santo, onde se colhe o café Conilon, e se iniciam de forma mais lenta nas áreas montanhosas do Sul de Minas.

“O Conilon começou mais cedo e está com uma safra boa, com produtividade dentro da expectativa”, destaca Moraes. “Já no Sul de Minas, a colheita está em ritmos diferentes. A região conhecida como ‘Sul de Minas quente’, nas margens da represa de Furnas, começou ainda no fim de abril. Já nas áreas mais frias, como a Mantiqueira, a colheita ainda está no início.”

Café leve, peneira boa

Com relação à qualidade do grão, André explica que, até o momento, não há grandes surpresas positivas. A produção segue o que era previsto após os impactos da seca e do veranico. “A peneira está boa, não temos visto problemas nesse sentido, mas o café está um pouco mais leve, com densidade variando bastante entre as lavouras”, observa.

Outro ponto que chama atenção é a maior incidência de cata — ou seja, mais grãos defeituosos — e uma leve quebra no rendimento em algumas regiões. “O rendimento, que é quantos litros são necessários para fazer um saco de café, está diretamente ligado à maturação. E a densidade do grão é o que tem oscilado mais, reflexo do veranico que atingiu muitas lavouras.”

Olho na próxima safra

Apesar dos desafios, há um ponto positivo: o retorno das chuvas após o veranico favoreceu o desenvolvimento das plantas, o que pode garantir uma boa projeção para a safra de 2026. “As lavouras reagiram bem com a volta das águas. As plantas conseguiram crescer, se reidratar e se preparar melhor para o próximo ciclo produtivo.”

Oferta maior e clima mantêm pressão sobre os preços do café

Previsão de frio ainda não preocupa

Por enquanto, a previsão de geada se restringe às áreas mais ao sul de São Paulo, sem riscos concretos para o Sul de Minas, segundo Moraes. “Ainda não há nenhuma especulação mais concreta para nossa região”, afirma.