Café: início de safra é marcado por ritmo lento e pressão nos preços

por | maio 30, 2025

A safra 2025 do café brasileiro começou a ganhar ritmo, embora ainda esteja em estágio inicial em várias regiões produtoras. De acordo com o Gerente da Mesa de Operações da Minasul, Heberson Vilas Boas, cerca de 10% da colheita de Arábica e 15% do Conilon já foram realizadas. Segundo ele, “muitos produtores estão começando agora, segunda-feira que vem”, o que indica que, nas próximas semanas, o fluxo de entrega deve se intensificar.

Em 20 dias a gente deve estar percebendo um volume grande já de café entregue nos armazéns”, prevê o especialista. Isso significa que o mercado físico poderá reagir ao aumento da oferta, especialmente em um contexto de retração dos preços.

Mercado pressionado pela queda nas bolsas internacionais

Enquanto os produtores iniciam a colheita, o mercado enfrenta um cenário de queda acentuada nos preços. Durante o mês de maio, as bolsas de Nova York e Londres recuaram 16%, movimento que refletiu diretamente no físico. “O físico também cedeu, ele saiu de R$ 2.600 para R$ 2.300 – caiu R$ 300”, destacou Heberson.

Sem previsão de frente fria intensa nos próximos dois meses, a expectativa é de que o movimento de baixa continue. “A tendência no curto prazo é de uma queda um pouco mais acentuada”, analisou.

Qualidade inicial surpreende positivamente

Apesar do avanço ainda tímido da colheita, a qualidade dos cafés colhidos até agora tem se mostrado promissora. “Os cafés que a gente já recebeu têm qualidade ótima. Peneira graúda entre 25% e 30%, catação em torno de 25%, bebida muito boa”, afirmou o gerente da Minasul. A ausência de chuvas no período contribuiu para manter os grãos bem formados, o que pode garantir cafés de alta qualidade nesta safra.

Oferta maior e clima mantêm pressão sobre os preços do café

Atraso leve na safra impacta o fluxo de caixa do exportador

Embora não tenham sido relatados atrasos logísticos nos portos até o momento, o atraso da própria safra tem impactado o ritmo de embarques. Heberson explica que “ainda não tem café suficiente para atender à demanda para embarques de junho e julho, mas é porque a safra está um pouco atrasada”.

A preocupação principal está no fluxo de caixa das exportadoras. “Se o café não entra no navio, o cliente do exterior não efetua o pagamento e o exportador vai ter que captar dinheiro a juros altos para fazer a reposição do fluxo”, alerta. Por isso, mesmo pequenos atrasos podem gerar pressões financeiras significativas.

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