Com o preço do café nas alturas, vale a pena investir em qualidade?

por | maio 6, 2025

Os preços do café estão em alta, e o cenário parece ideal para o produtor relaxar com os cuidados pós-colheita, certo? Errado. Para o coordenador técnico estadual da Emater-MG, Sérgio Brás Regina, esse é justamente o momento de levar a qualidade ainda mais a sério. “Mesmo com os preços elevados, a diferença entre um café bom e um café ruim beira os R$ 500 por saca. Fazer café ruim é perder dinheiro”, afirma.

Pós-colheita exige técnica e paciência

A principal orientação do especialista começa com algo simples, mas muitas vezes negligenciado: segurar a ansiedade e não colher café verde. Segundo Sérgio, o café imaturo prejudica a qualidade e também o rendimento. “Você está colhendo água, e isso significa menos peso e mais prejuízo.”

Outro erro comum é misturar café de árvore com café de chão (café de terra). Apesar de parecer básico, muita gente ainda comete essa falha e sacrifica a qualidade final do produto.

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Boas práticas pós-colheita: checklist essencial

  • Separar os lotes colhidos a cada três dias, no máximo

  • Rastrear a origem dos lotes, identificando os talhões de onde vieram

  • Utilizar lavadores/separadores por densidade

  • Evitar secadores estáticos sem revolvimento, que geram desuniformidade na secagem dos grãos

Momento de colher e… investir

Sérgio reforça que o atual cenário de preços é uma oportunidade histórica, e que os ganhos devem ser canalizados para fortalecer a estrutura da lavoura: modernizar equipamentos, reformar talhões antigos, investir em variedades mais produtivas e de melhor bebida. “Depois da bonança, vem outra tempestade. E o produtor precisa estar preparado.” Café é uma commodity. Dentro de três anos, novas safras entrarão no mercado e os preços podem voltar a níveis próximos ao custo de produção. Quem estiver profissionalizado, vai sobreviver — e prosperar.