Reforma agrária: MST intensifica ações e realiza 23 invasões desde o início de abril

por | abr 10, 2025

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirma ter realizado 23 invasões de áreas desde o início de abril. As ações incluem propriedades rurais, secretarias de Agricultura e até uma fazenda experimental de universidade. O movimento tem mantido um ritmo acelerado, com uma média de 2,5 ocupações por dia.

As ações fazem parte da chamada Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, tradicionalmente conhecida como Abril Vermelho, que deve se estender até o próximo dia 17 de abril.

Reação do setor agropecuário

Em resposta, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) divulgou nota nesta semana afirmando que acompanha a situação com “máxima atenção”. Segundo a bancada, as invasões representam uma ameaça à segurança jurídica no campo, impactando diretamente a produção agropecuária nacional e colocando em risco a integridade física e patrimonial dos produtores rurais e de suas famílias.

A FPA também destacou que as ocupações começaram antes mesmo de abril e ocorrem em um contexto de instabilidade crescente, agravado pela “postura permissiva do governo federal diante das pressões políticas” de movimentos sociais.

Pernambuco lidera número de ocupações

Somente em Pernambuco, uma série de ocupações ocorreu em poucos dias. No sábado (5), milhares de pessoas invadiram a Companhia Agroindustrial de Goiana (Caig), conhecida como Usina Santa Teresa, localizada no extremo norte do estado. A empresa, produtora de açúcar e álcool, teve suas terras reivindicadas pelo MST para fins de reforma agrária.

Ainda no sábado, o movimento ocupou a Fazenda Galdino, com 500 hectares, no município de Riacho das Almas, e a Fazenda Barra da Ribeira, de 400 hectares, entre Águas Belas e Iati.

No domingo (6), novas ocupações ocorreram. O grupo tomou a Fazenda CopaFruit, também de 500 hectares, em Petrolina, área que está em processo de desapropriação. A intenção do movimento é evitar que a propriedade seja leiloada. No mesmo dia, cerca de mil pessoas ocuparam a Fazenda Boi Caju, em Tacaratu, no sul do estado. Em seguida, a Fazenda Mandioca, localizada entre Altinho e Ibirajuba, também foi invadida.

Na região serrana de Gravatá, integrantes do MST ocuparam a Fazenda Brasil, em um município que já abriga seis assentamentos do movimento.

Na segunda-feira (7), duas usinas foram alvos do MST: a Usina Nossa Senhora do Carmo, em Pombos, e a histórica Usina Santa Pânfila, fundada em 1918. Segundo o MST, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já reconheceu o potencial dessas áreas para reforma agrária, mas nenhum processo foi efetivado até o momento.