O setor de piscicultura brasileiro atingiu números impressionantes em 2024, com um crescimento nas exportações, alcançando a marca de 59 milhões de dólares, um aumento de 138% em relação ao ano anterior. Em termos de volume, o Brasil exportou 13.792 toneladas de pescado, o que representa um crescimento de 102%. Esse desempenho é o maior desde 2021 e reflete a recuperação e expansão do setor.
De acordo com dados divulgados pela Embrapa Pesca e Aquicultura, em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), os filés frescos de tilápia foram os principais responsáveis por esse crescimento, com exportações somando 36 milhões de dólares. Já os peixes inteiros congelados ficaram em segundo lugar, totalizando 17 milhões de dólares em vendas externas.
Manoel Pedroza, pesquisador da Embrapa, explica que o aumento das exportações se deve a uma combinação de fatores. Entre eles, destaca-se a queda no preço da tilápia no mercado interno, o que gerou um excedente que foi direcionado para os mercados internacionais. Além disso, a valorização do dólar frente ao real ajudou a tornar as exportações brasileiras mais competitivas no cenário global. A elevação na produção da tilápia também teve papel crucial, pois o mercado interno não conseguiu absorver toda a oferta, impulsionando as vendas para o exterior.
A tilápia continua sendo o principal produto da piscicultura brasileira, representando 94% das exportações do setor, totalizando US$ 55,6 milhões, o que corresponde a um crescimento de 138% em relação a 2023.
No entanto, o setor também enfrenta desafios, como o déficit na balança comercial. Apesar do aumento nas exportações, o Brasil fechou o ano com um saldo negativo de US$ 992 milhões na comercialização de produtos da piscicultura. Isso ocorreu devido ao crescimento das importações, que atingiram US$ 1 bilhão. O salmão, principal espécie importada, teve um aumento de 9% em valor e 5% em volume, somando 909 milhões de dólares, o que representa 87% das importações do setor.
