Incidência do bicho-mineiro e ácaro, além de doenças, ligam alerta na cafeicultura brasileira
No Sul de Minas, as chuvas recentes trouxeram alívio para as lavouras de café, que enfrentavam um cenário de calor extremo e seca prolongada. O pesquisador André de Moraes, da Fundação Procafé, conversou com o portal Play no Agro sobre como as condições climáticas favoreceram a proliferação de pragas, como o bicho-mineiro e o ácaro, e o que esperar para a próxima safra.

“Com a chuva, as plantas começam a se recuperar, mas o impacto da seca ainda será sentido na safra de 2025. Essa umidade favorece também o desenvolvimento de doenças como o phoma, que ataca os botões florais e pode comprometer a produção”, explica André.
Incidência de pragas: calor e seca aceleraram o ciclo do bicho-mineiro

De acordo com André, o calor e a falta de chuvas até recentemente aumentaram o ciclo de reprodução de pragas como o bicho-mineiro. “Essas condições climáticas aceleraram o ciclo do bicho-mineiro, fazendo com que sua população aumentasse rapidamente, especialmente no interior de São Paulo. O ácaro também apareceu em várias áreas, porém de forma mais pontual”, ressalta o pesquisador.
As chuvas: recuperação e controle natural
Com o volume de chuvas ultrapassando os 300mm em algumas regiões, há uma expectativa de redução na população dessas pragas. “O clima úmido ajuda a frear o ciclo do bicho-mineiro e do ácaro. Ainda assim, é essencial avaliar a necessidade de controle químico para evitar danos à produção”, comenta André.
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Desafios com a Phoma: um problema à vista
Outro ponto levantado pelo pesquisador foi o aumento das condições favoráveis para a doença de Phoma, que afeta o botão floral e o chumbinho. “O phoma é um fungo que prospera em clima ameno e úmido, e pode resultar em perdas na fase inicial do chumbinho. Esse fungo já está presente no ar e, com as chuvas, é essencial redobrar a atenção ao manejo para proteger as plantas”, finaliza André.
