Chuvas irregulares e altas temperaturas desafiam cafeicultura em outubro

por | set 30, 2024

Após um longo período de seca nas regiões cafeeiras do Brasil, o mês de outubro promete trazer algum alívio, embora com desafios. Segundo a agrometeorologista Ludmila Bardin, da Rural Clima, as chuvas devem marcar presença ao longo do mês, mas de forma bastante irregular, o que pode complicar o manejo das lavouras.

“Aos poucos, as chuvas vão avançar sobre essas áreas, porém de maneira irregular”, explica Ludmila. As previsões indicam que a primeira quinzena de outubro terá precipitações, embora elas ainda sejam esparsas e inconsistentes, prolongando o estresse hídrico para algumas regiões cafeeiras.

Outro ponto de preocupação é o risco de granizo, que permanece em outubro, assim como foi observado em setembro. Com a chegada das primeiras chuvas, há a possibilidade de que essas precipitações venham acompanhadas de ventos fortes e tempestades isoladas. “A atmosfera ainda está muito seca e quente, o que aumenta o risco de tempestades e granizo nas primeiras chuvas do mês”, alerta Ludmila.

Irregularidade e altas temperaturas: desafios para a cafeicultura

Pensando no cenário da cafeicultura brasileira, a maior dificuldade continuará sendo a irregularidade das chuvas, somada às altas temperaturas previstas para o mês. “Teremos um mês quente, com temperaturas elevadas”, destaca Ludmila, acrescentando que, para o verão, há expectativa de um aumento nas precipitações, especialmente em Minas Gerais, um dos principais estados produtores de café.

“As chuvas no verão poderão ser mais frequentes,o que pode favorecer o desenvolvimento das lavouras. No entanto, até lá, o grande desafio será a irregularidade das precipitações em outubro”, aponta a especialista.

Leia também:

Déficit hídrico agrava a situação dos cafeeiros no Brasil

Déficit hídrico se espalha pelo Brasil; não há previsão de chuvas em áreas de café

Primavera traz expectativa de chuva em áreas cafeeiras, com temperaturas subindo

Rondônia e a umidade amazônica

A situação em Rondônia tem sido um pouco melhor, com chuvas já começando a aparecer de forma mais constante, embora ainda irregulares. “Já temos algumas precipitações em Rondônia, mesmo que irregulares. A umidade da Amazônia começa a descer e provocar chuvas nessas áreas”, explica Ludmila, observando que a tendência é de que essa frequência aumente ao longo de outubro.

Possibilidade de melhora no verão

Com o avanço das frentes frias ao longo da segunda quinzena de outubro, é esperado que as chuvas comecem a se regularizar em estados como São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.

Ludmila destaca que a La Niña deve ganhar força até o final do ano, o que pode influenciar positivamente as condições climáticas para a cafeicultura no início de 2025. “O verão, especialmente em janeiro e fevereiro, poderá trazer mais umidade para as regiões centrais do Brasil, incluindo São Paulo e Minas Gerais, o que seria benéfico para o desenvolvimento das lavouras.”

Previsão otimista para 2025

Para o primeiro trimestre de 2025, Ludmila prevê condições mais favoráveis para as áreas cafeeiras. “Há possibilidade de chuvas relativamente boas no início do próximo ano, e as temperaturas não devem ser tão elevadas, o que pode criar um cenário mais positivo para o desenvolvimento do café.”

Entretanto, ela reforça que o mês de outubro ainda será marcado tempestades localizadas, o que exigirá atenção redobrada dos produtores. “O grande ponto para outubro é a irregularidade das chuvas, que continuarão vindo na forma de pancadas esparsas, principalmente durante a primeira quinzena”, finaliza Ludmila Bardin.