Durante o mês de maio o mercado do boi gordo foi difícil para os pecuaristas. As chuvas boas fizeram com que muitos pecuaristas dessem uma segurada na espera do preço melhor, que não veio, os preços ao longo do mês se mantiveram em queda.
De acordo com análise da Scot Consultoria, o cenário está relacionado a oferta do mercado. “Em regiões aonde as chuvas não enxugaram ainda, com a luminosidade interferindo no crescimento do capim, tivemos essa oferta de massa para se ter um bom acabamento dos bovinos aos frigoríficos, o que dá aquela enxugada e a oferta vem alta”, conforme explica Pedro Gonçalves engenheiro agrônomo da Scot Consultoria.
E a oferta alta de animais somada aos estoques ainda em alta nos frigoríficos, por conta de uma demanda interna ainda menor colaborou também para a esse cenário. No entanto, se tratando das margens, a análise mensal de maio, apontou que para os frigoríficos essa é uma das melhores margens desde 2021.
O mês de maio também reforçou um alto índice de descarte de fêmeas, como já esperado segundo analistas, o que levou a uma oferta grande de animais nesse primeiro semestre.
“Junto a maior oferta de fêmeas, oferta de macho e oferta de capim, aumenta-se a pressão de baixa nos preços. Acabou que tivemos o que chamamos de desova de animais de safra no mês de maio e junho, que vem com uma concentração de animais muito grande, por conta dos embargos em fevereiro” explica o analista da Scot Consultoria Felipe Fabbri.
Já para o segundo semestre, Pedro explica que os últimos dados apresentados pelo IMEA, apontam uma expectativa menor em termos de ofertas. “…Com o término da safra do capim, a tendência é que a matéria prima ofertada seja menor e consequentemente os preços sejam melhores. Além dos bons volumes da China, que devem ser maiores o segundo semestre”.
Insumos para a pecuária –
A queda no preço do milho em especial – se tratando dos insumos- influenciou também na arroba do boi gordo, assim como a reposição em baixa. “A nossa perspectiva pro confinamento para essa temporada é de margens mais confortáveis que nos últimos anos, mesmo com essa queda na arroba do boi gordo. A gente observa hoje que muito compradores e confinadores, já estão com algum estoque da safra passada, e não conseguiram comprar os insumos ainda nesses patamares de preço”.
Segundo Felipe com a arroba atual a conta não fecha, e isso deve influenciar na quantidade de cabeça nessa primeira temporada em confinamento.
