Um estudo da Embrapa Meio Ambiente feito na Bacia do Rio Jaguari, no Sul de Minas, mostra que o uso do solo em áreas de nascente interfere diretamente na qualidade da água e na saúde dos ecossistemas aquáticos. A região é estratégica por integrar o Sistema Cantareira, que abastece milhões de pessoas.
A pesquisa avaliou três riachos com diferentes condições de vegetação: Monte Verde (preservado), Toledo (degradado por pasto e horta) e Extrema (em reflorestamento). A presença de mata ciliar mostrou-se essencial para manter a biodiversidade, reduzir poluição e garantir água de melhor qualidade.
Nos riachos degradados, foram encontrados níveis mais altos de fósforo, nitrogênio e mudanças na temperatura da água e nos organismos presentes. Em Toledo, dominaram espécies resistentes à poluição. Já Monte Verde apresentou maior diversidade de macroinvertebrados sensíveis à contaminação.
Durante nove meses de coleta, mais de 39 mil organismos foram analisados com indicadores simples, como %EPT e o índice de Shannon, que comprovaram os efeitos negativos do uso intensivo do solo. A análise reforça que condições locais, como tipo de vegetação e uso do solo, são mais determinantes para a qualidade da água do que a estação do ano. Ou seja, o estado de conservação da área ao redor dos riachos faz a diferença o ano todo.
O estudo também alerta que riachos de cabeceira ainda não são monitorados pela Agência Nacional de Águas (ANA), o que dificulta a gestão hídrica. Para os pesquisadores, é urgente restaurar a vegetação ripária e adotar práticas agrícolas mais sustentáveis.
A mata ciliar reduz poluição, regula a temperatura da água e protege os cursos d’água. Além disso, o uso de macroinvertebrados como bioindicadores é uma ferramenta simples e eficaz para avaliar o impacto ambiental e orientar políticas públicas.A conclusão é direta: preservar as nascentes é essencial para garantir água de qualidade, proteger a vida nos rios e manter o abastecimento — especialmente em regiões produtoras como o Sul de Minas.
