Safra de milho: Brasil enfrenta desafios na produção e exportação em 2024

por | fev 27, 2024

Nos últimos anos, o Brasil teve um crescimento na produção de milho e também na exportação, tornando-se o maior exportador mundial de milho em 2023. Porém, em 2024, já se observa uma queda na área plantada de milho e também nas exportações, que estavam em níveis recordes nos dois últimos anos.

O analista de mercado Vlamir Brandalizze explica que existem dois principais fatores para essa queda na área plantada de milho. “Um dos motivos é o atraso no plantio da soja, que será colhida na metade de março, ficando fora da janela ideal para o cultivo do milho. Outro fator é o preço do milho, que está muito abaixo do esperado pelos produtores e muito próximo do custo”, explica o analista. 

A queda, segundo Vlamir Brandalizze, deve ser de 1 milhão de hectares na área destinada à safrinha, considerando que no ano passado foram plantados cerca de 17,5 milhões de hectares e este ano são previstos 16,5 milhões. Isso coloca a margem de lucratividade em risco.

Já a exportação, que alcançou um recorde histórico em 2023, com 56 milhões de toneladas, agora deve sofrer uma queda significativa, ficando em torno de 40 milhões de toneladas. “Isso se deve ao aumento da demanda interna, prevendo-se um aumento no consumo local, ao passo que a oferta nacional diminuirá. Espera-se uma queda de 15 milhões de toneladas na safra total, o que se refletirá em uma redução nas exportações”, explica.

No segundo semestre, a expectativa é de que haja mais disputa, uma vez que no primeiro semestre não há mais embarques de exportação até julho devido à predominância da soja nos embarques. Já no segundo semestre, espera-se uma maior demanda por parte dos setores de etanol e ração.