O ano de 2025 começou com um bom volume de chuvas em Rondônia, e as lavouras de café robusta amazônico apresentam um aspecto saudável. No entanto, a expectativa de produção para a safra deste ano não traz perspectivas animadoras para os produtores. Segundo o pesquisador da Embrapa, Enrique Alves, a previsão é que os números fiquem muito próximos aos registrados em 2024, que já foram inferiores à safra de 2023.
A razão para essa estabilidade na produção, mesmo diante de um regime hídrico favorável, está nas condições climáticas adversas enfrentadas durante 2024. No período crucial para a safra de 2025 – a florada e o estágio inicial de desenvolvimento dos frutos –, a região amazônica passou por uma seca histórica. “Apesar de a maioria das lavouras ser irrigada e não ter faltado água, o estresse térmico prejudicou o pegamento da florada e o desenvolvimento inicial dos frutos”, explica Enrique Alves. O fenômeno resultou em menor frutificação em algumas áreas e clones específicos, o que os produtores chamam de “plantas banguelas” – árvores com frutos bem formados, mas em menor quantidade do que o esperado nas rosetas.
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Ainda que os prognósticos para 2025 indiquem estabilidade em relação a 2024, Enrique destaca que é cedo para cravar os números finais da safra. “O café tem uma certa plasticidade e resiliência climática, e há muitas lavouras novas entrando em produção no estado, o que pode contribuir para uma média de produtividade melhor”, pondera o pesquisador.
Investimentos em produtividade
Mesmo diante dos desafios climáticos, Rondônia segue se destacando na produtividade do café robusta. Segundo dados da Conab, o estado ostenta a maior média de produtividade do Brasil, alcançando 50 sacas por hectare. Em algumas regiões, como as Matas de Rondônia, esse número é ainda mais expressivo. “No ano passado, um levantamento da Embrapa apontou que a produtividade nessa região foi de 68 sacas por hectare, a maior entre todas as regiões produtoras“, ressalta Enrique.
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A alta produtividade da cafeicultura rondoniense é resultado de investimentos em tecnologia, genética avançada e manejo eficiente, incluindo irrigação e nutrição adequadas. No entanto, o impacto das condições climáticas adversas reforça a necessidade de estratégias para mitigar os efeitos do estresse térmico nas lavouras. A evolução da safra nos próximos meses será decisiva para confirmar se a produção de 2025 manterá os mesmos patamares do ano anterior ou se haverá alguma variação nos resultados finais.
