Desde 2017 a Embrapa Acre desenvolve ações na Terra Indígena Puyanawa, por meio de uma equipe multidisciplinar de pesquisadores e analistas. O projeto “Gestão territorial, boas práticas de produção e sociobiodiversidade – Fase II” atua para possibilitar o uso de técnicas de manejo e recuperação de solos degradados, intensificar a produção agroflorestal para aumentar a diversidade e qualidade de alimentos e elevar a eficiência de agroindústrias de farinha de mandioca. Essas e outras ações de pesquisa e transferência de tecnologias visam fortalecer a produção nas aldeias, garantir segurança alimentar e melhorar a renda das famílias indígenas.
O prazo de execução das atividades é abril de 2021 a março de 2024, mas, devido à pandemia do Coronavírus, o início foi adiado para o segundo semestre de 2022. Durante as duas expedições já realizadas à Terra Indígena Puyanawa foi iniciada a coleta de dados sobre o território e a implantação de viveiros para a formação de sistemas agroflorestais e pomares que vão ajudar a diversificar a produção.
“Também já estão em andamento ações de apoio à associação representativa da Terra Indígena Puyanawa, em relação a iniciativas para captação de recursos e definição de atividades prioritárias para a comunidade. Temos uma extensa agenda de trabalho que envolve diferentes frentes de atuação e um processo de construção coletiva que vai contribuir com a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT), instrumento que visa fortalecer os indígenas em seus territórios”, explica o pesquisador Eufran Amaral, líder do projeto.
Formada por duas aldeias (Barão do Rio Branco e Ipiranga), a Terra Indígena Puyanawa está localizada no município de Mâncio Lima. O projeto é executado com a participação da comunidade e tem a parceria da Secretaria de Estado de Produção e Agronegócio (Sepa/Juruá), Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Políticas Indígenas (Semapi), Secretaria Municipal de Agricultura de Mâncio Lima (SEMAG) e Fundação Nacional do Índio (Funai CR-Juruá).
Capacitação
Para fortalecer a produção e a gestão da Terra Indígena Puyanawa, um dos principais eixos do projeto é a realização de capacitação continuada, para formação de agentes multiplicadores de conhecimentos nas aldeias. O cronograma de ações, elaborado a partir de demandas da comunidade, terá início em 2023 e contemplará cursos sobre práticas agroflorestais, com ênfase na implantação, manejo e condução de quintais agroflorestais, consórcios agroflorestais e pomares com frutíferas nativas e de outras regiões como o açaí , abacate, citros, graviola, pupunha, castanha-do-brasil, biribá, acerola, mamão, maracujá, banana, abacaxi, cupuaçu e patauá.
Serão oferecidos, ainda, cursos sobre recomendações técnicas para uso de mapeamento participativo; relação com os solos na terra indígena (etnopedologia); mudanças climáticas e serviços ambientais; técnicas de manejo conservacionista do solo; práticas agroecológicas para o manejo de insetos da agricultura indígena e controle agroecológico; fabricação de farinha de mandioca com foco na melhoria da qualidade do produto e adequação à legislação vigente; e uso de variedades locais de mandioca adequadas para a produção de farinha, entre outros temas de interesse da comunidade.
Para a transferência desses conhecimentos serão implantadas Unidades de Referência Tecnológica em diferentes temáticas, que servirão como sala de aula e ambiente de aprendizagem prática para os Puyanawa e outros povos indígenas em eventos como palestras e Dias de Campo. Os conteúdos técnicos também serão compartilhados com moradores de outras comunidades indígenas por meio de gentes multiplicadores.
De acordo com Amaral, esse conhecimento é essencial para o processo de revisão do Plano de Gestão Territorial da Terra Indígena, instrumento que vai subsidiar as decisões sobre os diversos usos do território indígena. “Além disso, visam contribuir com as políticas públicas de Etnozoneamento e com o Plano de Enfrentamento de Mudanças Climáticas do Estado, ferramentas indispensáveis para aumentar a resiliência de populações indígenas a processos decorrentes da intervenção humana”, explica o pesquisador.
