Presidente da Abitrigo destaca redução e desafios para safra de trigo 2023/24

por | fev 23, 2024

A safra de trigo 2023/2024 teve uma redução muito forte. Os dados da Conab mostram que, após o aumento dos últimos três anos, a previsão é de uma queda significativa de 8,6 milhões de toneladas. Segundo o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa, essa queda de produção coincide com razões climáticas, sobretudo afetando a produção no sul, no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Essa coincidência de pontos de vista com a queda do preço do produto no exterior torna a situação muito difícil, o que vai nos fazer importar mais este ano.

“A demanda interna no Brasil estará em torno de 7 a 8 milhões de toneladas de importações, enquanto a Argentina pode fornecer no máximo 4 milhões de toneladas. Portanto, há um déficit e isso terá que ser suprido por outras fontes. Os moinhos estão começando a analisar essa situação”, explica Rubens.

Porém, em relação às áreas plantadas, a expectativa em geral não é de queda. O Presidente-Executivo da Abitrigo explica que em algumas regiões até pode existir uma queda, mas não geralmente. Considerando que as áreas plantadas em outras regiões, como cerrado, Mato Grosso e São Paulo compensam as perdas em outras.

Neste ano, mesmo com a demanda interna elevada, há uma dificuldade devido à quebra de safra no Rio Grande do Sul e Paraná. “Com as importações que o Rio Grande do Sul possui, ainda vamos manter o nível de exportação. Portanto, os moinhos vão tomar muito cuidado por causa dessas incertezas do mercado, e sobretudo acompanharão a evolução do preço no mercado internacional. Devido à tendência de queda e razões técnicas, a queda de preço não tem nada a ver com as condições climáticas no Brasil, mas sim com considerações globais e a guerra na Ucrânia, que influencia as bolsas de Chicago. Assim, é uma situação difícil para os moinhos que importam, mas está sob controle e eles agirão para minimizar esses riscos”, disse o Presidente-Executivo da Abitrigo.

Perspectivas para safra 2024/2025

Para a próxima safra, a expectativa é da volta do crescimento na produção ao redor de 10 milhões de toneladas. “Ainda é prematuro para avaliar, estamos no meio das compras, e vamos ter que buscar o trigo não só da Argentina, que também está com uma safra maior do que no ano passado, mas menor do que eles plantam normalmente, mas também de outras fontes como Estados Unidos, Rússia e Europa para compensar a impossibilidade da Argentina atender toda nossa produção. É uma pena que o trigo da Argentina esteja mais competitivo, mais baixo até mesmo do que os preços da Rússia e dos Estados Unidos”, cometou Rubens Barbosa.