Preço do suíno vivo despenca em janeiro com demanda fraca no mercado

por | fev 5, 2026

Após um último trimestre de estabilidade em 2025, o mercado de suínos iniciou o ano com forte queda nos preços do suíno vivo, segundo dados do Cepea. Em janeiro, a pressão sobre as cotações foi intensificada pelo desaquecimento simultâneo das demandas interna e externa, resultando em um desequilíbrio significativo entre oferta e procura.

De acordo com os pesquisadores do Cepea, a retração da demanda doméstica em janeiro é um movimento sazonal, comum para o período, quando o consumo tende a diminuir em função dos maiores gastos das famílias, como impostos e despesas concentradas no início do ano.

Exportações também recuam e reforçam pressão

Em 2026, além da fraqueza do mercado interno, o setor enfrentou também redução da demanda externa, o que ampliou o movimento de baixa. Dados da Secex mostram que, na parcial de janeiro, a média diária de embarques de carne suína foi de 4,9 mil toneladas, volume inferior às 5,4 mil toneladas registradas em dezembro.

A combinação entre consumo doméstico enfraquecido e exportações menores limitou as alternativas de escoamento da produção, intensificando a pressão sobre os preços pagos ao produtor.

Oferta segue elevada no início do ano

Do lado da oferta, o cenário também contribuiu para o recuo das cotações. Segundo o Cepea, os abates em janeiro ocorreram em ritmo semelhante ao de dezembro, mantendo elevada a disponibilidade de animais no mercado.

Com a oferta estável e a demanda retraída, o resultado foi um forte desequilíbrio entre disponibilidade e procura, refletido diretamente nos preços do suíno vivo.

Queda é a mais intensa em um ano

Na praça SP-5, o suíno vivo posto na indústria registrou média de R$ 8,24 por quilo em janeiro, representando uma queda de 6,9% em relação a dezembro. Trata-se da desvalorização mais intensa desde janeiro de 2025, quando, em termos reais, o animal havia recuado 13,3% frente a dezembro de 2024.

Mercado segue atento aos próximos meses

Com a demanda ainda enfraquecida e a oferta mantendo ritmo elevado, o mercado de suínos inicia o ano sob pressão, e a recuperação dos preços dependerá da retomada gradual do consumo interno e do desempenho das exportações ao longo dos próximos meses.