Queda nas cotações pressiona poder de compra do produtor, enquanto embarques atingem recorde para o mês
O mercado de suínos iniciou 2026 sob forte pressão. Em fevereiro, as cotações do suíno vivo registraram quedas expressivas, impactando diretamente a rentabilidade do produtor. De acordo com o Cepea (Esalq/USP), na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), a desvalorização foi de 16,1% frente a janeiro, a maior queda desde 2022.
Exportações de carne suína crescem e atingem recorde
Apesar da queda nos preços internos, o cenário externo trouxe sinais positivos.
Segundo dados da Secex:
- As exportações de carne suína somaram 120,9 mil toneladas em fevereiro
- Alta de 5,1% em relação a janeiro
- Crescimento de 6,9% frente a fevereiro de 2025
O volume representa o maior já registrado para um mês de fevereiro desde o início da série histórica, em 1997.
Relação de troca piora e reduz poder de compra do suinocultor
Mesmo com avanço nas exportações, o produtor sentiu no bolso a queda nos preços.
Com a desvalorização do suíno vivo:
- 1 kg de suíno passou a comprar apenas 3,75 kg de farelo de soja
- Ou 6,11 kg de milho
Os dois indicadores representam os piores níveis desde 2024, evidenciando a perda de poder de compra no campo.
Carne suína ganha competitividade frente a bovina e frango
Por outro lado, a queda nos preços trouxe um efeito positivo no consumo.
Em fevereiro:
- A carne suína atingiu o menor preço desde abril de 2024 (em termos reais)
- O produto ficou mais competitivo frente à carne bovina e de frango
Esse movimento pode favorecer a demanda interna nos próximos meses.
O que o produtor precisa observar
O mercado de suínos apresenta um cenário misto em 2026:
- Queda forte nos preços do suíno vivo
- Exportações em ritmo positivo
- Pressão sobre a margem do produtor
- Ganho de competitividade no consumo interno
