Valorização do leite ao produtor ganha força com menor oferta e maior disputa entre laticínios
O preço do leite ao produtor registrou a segunda alta consecutiva em fevereiro de 2026. De acordo com levantamento do Cepea (Esalq/USP), a “Média Brasil” fechou em R$ 2,1464 por litro, avanço de 5,43% em relação a janeiro.
Apesar da recuperação recente, o cenário ainda exige atenção. Em termos reais, o valor pago ao produtor segue 25,45% abaixo de fevereiro de 2025, considerando a inflação medida pelo IPCA.
Menor oferta de leite impulsiona preços no campo
A alta no preço do leite está diretamente ligada à redução na oferta de matéria-prima, o que aumentou a competição entre laticínios pela compra do leite cru. Segundo o Cepea, o ICAP-L (Índice de Captação de Leite) caiu 3,6% na Média Brasil entre janeiro e fevereiro. O recuo foi puxado principalmente por estados relevantes na produção:
- Minas Gerais
- São Paulo
- Goiás
- Paraná
Esse movimento reforça um cenário de menor disponibilidade de leite no campo, sustentando a valorização dos preços.
Sazonalidade e custos explicam queda na captação
A diminuição da oferta ocorre por dois fatores principais:
-Sazonalidade climática
-Nesta época do ano, a qualidade das pastagens tende a cair, o que impacta diretamente a produção de leite.
Cautela do produtor: Após sucessivas quedas de preços em 2025, muitos produtores reduziram investimentos, pressionados pela queda nas margens.

Custo de produção segue em alta, mas relação de troca melhora
Mesmo com a valorização do leite, os custos continuam pressionando a atividade. Em fevereiro, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 0,32% na Média Brasil, ainda impactado por insumos e alimentação animal.
Por outro lado, há um ponto positivo:
- A queda no preço do milho
- Somada à alta recente do leite
Tornou a relação de troca mais favorável ao produtor neste início de 2026.
Derivados reagem e reforçam tendência de alta
O mercado de derivados também começou a mostrar sinais de recuperação. Levantamento do Cepea, com apoio da OCB, aponta que em fevereiro houve valorização no atacado paulista:
- Leite UHT: alta nos preços
- Queijo muçarela: avanço nas cotações
Esse movimento foi impulsionado pela combinação de menor oferta e maior demanda, criando um ambiente mais favorável para o setor.
Tendência para os próximos meses
A expectativa do mercado é de continuidade na valorização. Com menor disponibilidade de leite e recuperação dos derivados, a tendência é que:
- O preço do leite ao produtor siga em alta
- O mercado ganhe mais sustentação ao longo de março

