O mercado do milho em 2023, no Brasil, foi marcado por uma queda brusca nos preços. Em algumas regiões, as cotações da saca de 60 Kg, chegaram a R$30. O cenário obviamente assustou os produtores rurais, já que em comparação com o ano passado, as cotações tiveram queda significativa. Em 2022, o produtor chegou a receber mais de R$100 por saca.

“O mercado segue um pouco melhor, mas a tendência é ir melhorando aos poucos. Este ano tivemos uma super safra de milho, com mais de 130 milhões de toneladas e isso foi fator importante para impactar as cotações”, explica o analista de mercado, Vlamir Brandalizze.
Existia uma grande preocupação com relação a redução de área de plantio para o milho segunda safra ou safrinha, devido ao atraso na janela de plantio da soja, em especial no Centro-Oeste. A ação do fenômeno El Niño, ocasionou o atraso na semeadura da soja, com a ausência de chuvas e altas temperaturas.
A semeadura do milho safrinha, depende agora de chuvas alongadas nos próximos meses, para uma boa colheita. “Acredito que uma safrinha de 90 milhões de toneladas é bem possível, talvez até um pouco maior, mesmo com esses problemas. Mas é importante lembrarmos que tudo vai depender do clima”, ressalta Brandalizze.
No entanto, a maioria dos produtores ainda devem definir como será o cultivo do milho, já que o atraso na janela da soja, tem causado receio.
Protagonismos brasileiro no mercado mundial
E o cenário complicado que se desenhou para o Brasil nesta temporada, não deve afetar o seu protagonismo no mercado mundial de milho. As cotações do milho futuro têm se apresentado com aumento de 15 a 18% melhores em comparação com o milho presente. “O milho presente continua muito barato, tanto no mercado interno como mundial”, explica Brandalizze.
Há um bom tempo o Brasil caminha para assumir o protagonismo no mercado mundial de milho, e já tem conseguido isso. A expectativa é que em 2024 as exportações brasileiras cheguem perto de superar os Estados Unidos, como ocorrido neste ano. A previsão inicial é que as exportações cheguem perto de 140 milhões de toneladas.
E passando esse período, alguns analistas, como Brandalizze, apostam em um crescimento considerável da produção brasileira de milho em 2025. “Estamos falando de um crescimento que deve ser constante. Teremos também o fator demanda impactando diretamente em estoques menores pós inverna que deve começar em breve, no hemisfério norte. Um inverno rigoroso e precoce que vai demandar mais ração, algo reflete diretamente na demanda de milho, impactando os estoques”, enfatiza.
