O início de 2025 revela um cenário de menor disponibilidade de trigo no mercado interno brasileiro, conforme apontado no Agromensal de janeiro do Cepea. A queda na produção, observada no segundo semestre de 2024, foi parcialmente compensada pelo aumento das importações. Esse panorama indica que as compras externas permanecerão aquecidas no primeiro semestre de 2025, com tendência de elevação nos preços. No campo, a alta nos valores do trigo pode incentivar os produtores brasileiros a manter ou até ampliar a área destinada ao cultivo do cereal na próxima safra.
A maior oferta de trigo da Argentina surge como uma oportunidade para o Brasil aumentar suas importações, embora a disputa com outros países deva ser considerada. O governo argentino reduziu as taxas de exportação, as “retenciones”, de 12% para 9,5% até junho de 2025. Essa mudança pode beneficiar o Brasil, mas a concorrência será intensa, especialmente com a China, que, no ano passado, retomou as compras de trigo argentino em volumes significativos, algo que não ocorria desde os anos 90.
Além disso, o mercado global pode passar por alterações caso haja mudanças nas políticas de exportação e importação dos Estados Unidos, especialmente com a chegada de um novo governo no país. Essas decisões podem afetar a dinâmica das transações de trigo mundialmente.
No cenário doméstico, a produção brasileira de trigo para 2024 foi estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 7,89 milhões de toneladas, representando uma redução de 2,6% em relação à safra de 2023. Apesar dessa queda, os preços do trigo no início de 2025 são superiores aos do mesmo período do ano anterior. A rentabilidade, também impactada pelos custos de produção, tende a ser mais atrativa para os produtores, já que o aumento nos preços não foi acompanhado por uma elevação proporcional nos custos. Contudo, é preciso considerar a concorrência com outras culturas, como o milho de segunda safra, que também apresenta atratividade em diversos estados.
Outro ponto relevante, segundo o Cepea, é a expectativa de aumento nos preços das farinhas, principalmente no primeiro trimestre de 2025. O crescimento das importações e a paridade de preços no mercado internacional devem pressionar os valores internos, impactando diretamente os consumidores finais.
