A secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, afirmou no último domingo, que o governo americano está focado em expandir a presença dos produtos agrícolas dos EUA em novos mercados internacionais, enquanto enfrenta dificuldades nas relações comerciais com a China. A declaração foi feita durante entrevista ao programa State of the Union, da CNN.
Rollins citou diretamente o Brasil e a Argentina como exemplos de países que ampliaram suas exportações de grãos e carnes para a China, em meio à redução das compras de produtos norte-americanos. Segundo ela, as negociações comerciais entre Estados Unidos e China continuam ocorrendo “diariamente”, mas reconheceu que as exportações americanas, especialmente de soja e carne suína, sofreram forte retração no curto prazo — com queda de 72% na demanda chinesa por carne suína dos EUA em apenas uma semana. “Eles precisam mais de nós do que nós deles“, afirmou a secretária, defendendo a estratégia comercial adotada pela atual administração.
Acusações de práticas comerciais desleais
Brooke Rollins acusou Brasil, Argentina e Reino Unido de praticarem comércio desleal contra os produtos agrícolas americanos, apontando barreiras sanitárias, exigências não tarifárias e impostos de importação como obstáculos que dificultam a competitividade dos EUA. “Seja Argentina, China, Brasil ou Reino Unido, eu poderia listar país por país como eles tratam nossa carne, nossos produtos”, declarou.
Estratégia para expandir mercados
Para compensar as perdas no mercado asiático, Rollins destacou que a expansão comercial é uma prioridade do governo. Segundo ela, viagens oficiais estão programadas para países como Reino Unido, Vietnã, Japão, Peru e Brasil, com o objetivo de abrir novas oportunidades de exportação.
“Os países estão batendo à nossa porta“, disse a secretária, ressaltando que mais de 100 nações já demonstraram interesse em firmar acordos comerciais com os Estados Unidos.
Impactos internos e defesa da política econômica
No cenário doméstico, Rollins defendeu a política econômica da administração Trump, mesmo diante da queda de aprovação popular em relação às tarifas comerciais. Ela argumentou que indicadores como inflação e custo médio de produtos para o consumidor estão em trajetória de baixa, o que, segundo ela, comprova a eficácia das medidas.
A secretária também abordou o impacto da gripe aviária no mercado de ovos, um tema que ganhou atenção prioritária no início do mandato. Rollins afirmou que o preço atacadista dos ovos caiu 58% nas últimas seis semanas, após a implementação de um plano de cinco frentes para controle da inflação no setor, incluindo a importação emergencial de ovos de países como Turquia e Coreia do Sul. No entanto, reconheceu que a redução de preços ainda não chegou plenamente ao varejo em todas as regiões.
