Estudo da Embrapa aponta caminhos para ampliar consumo de alimentos à base de insetos

por | jan 29, 2026

Um estudo da Embrapa Agroindústria de Alimentos, no Rio de Janeiro, analisou a resistência do consumidor brasileiro ao consumo de alimentos à base de insetos, alternativa que vem ganhando espaço como fonte de proteína sustentável. A pesquisa aborda a chamada neofobia alimentar, caracterizada pela rejeição a alimentos desconhecidos.

Segundo a Embrapa, a aceitação desses produtos aumenta quando o consumidor recebe informações claras sobre benefícios à saúde e tem contato com apresentações visuais mais atrativas. A combinação de estética e informação ajuda a reduzir a rejeição inicial e aumenta a intenção de compra, mesmo antes da degustação.

O estudo indica que os biscoitos e snacks são as formas mais promissoras para introduzir esse tipo de alimento no mercado nacional. Dados analisados pela Embrapa mostram que cerca de 51% dos produtos com insetos consumidos no mundo são petiscos, o que reforça o potencial desse formato no Brasil, onde o consumo de biscoitos é elevado.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa, Rosires Deliza, a familiaridade com o produto é decisiva para a aceitação. Ao transformar os insetos em farinha e incorporá-los a receitas conhecidas, a resistência do consumidor tende a diminuir. A pesquisa também aponta maior aceitação entre pessoas interessadas em saúde, bem-estar e sustentabilidade, conforme análise da doutoranda da UFRRJ, Karen Romano, que participou do estudo.

Além do comportamento do consumidor, o levantamento contribui para o avanço da regulamentação do setor. O Mapa trabalha na elaboração de normas para o consumo de insetos no Brasil, com foco em segurança alimentar e controle sanitário. Segundo a Embrapa, os insetos utilizados são criados em ambiente controlado, com rastreabilidade e padrões rigorosos de higiene, o que reforça o potencial do setor como alternativa viável para o futuro da alimentação.