Estiagem, excesso de chuvas, pragas e doenças, marcam safra de soja no Sul

por | mar 15, 2023

O cenário em muitas fazendas na região Sul do Brasil, trouxe preocupação nos últimos meses. A Estiagem no Rio Grande do Sul e em muitos momentos, o excesso de chuvas no Paraná, desenhou um cenário de incertezas.

Nas últimas semanas, a Emater do Rio Grande do Sul, divulgou a estimativa de quebra para a atual safra. Segundo a Emater, a quebra na produção de soja, no estado, pode chegar a 31%. Esse resultado segundo o órgão, está muito abaixo do que era esperado para a produção total no início do ciclo.

No entanto, é preciso pontuarmos que os números não são os finais, já que em muitas cidades a colheita ainda nem mesmo começou. Como na Agropecuária Forner, no município de Joia, onde o produtor Alex Forner, relata as dificuldades com a estiagem. “Olha, nossa região é muito complicada. Fomos muito atingidos pela seca novamente, mais um ano perdido. Tem regiões que vão produzir melhor que o ano passado e outras que serão similar a produção do ano passado. Pra nós aqui, na região de serra, a lavoura está até um pouco melhor. Se chover normal nos próximos 15 dias, conseguiremos colher um pouco melhor que o ano passado, mas é tudo muito incerto.”

A falta de chuva foi o principal problema da região, o produtor Fernando Tamiozo, da Fazenda Agrotamiozzo, que em 2022, já havia enfrentado um castigo severo com a estiagem, relata que este ano espera uma colheita um pouco melhor. Segundo ele, a estiagem desta safra, em comparação com a temporada anterior, foi menor, mas mesmo assim trouxe sérios prejuízos.

Tem algumas regiões que foram mais castigadas. Aqui, comparando com o ano passado, esse ano, o impacto foi um pouco menor. No ano passado colhemos uma média de cinco sacas por hectares, este ano, estamos fechando em sete, oito ou até dez sacas por hectares.  Deu uma chuva esses dias, e agora está seco de novo. Tá faltando umidade, já teria que ter chovido. As lavouras mais tardias estão correndo risco”, explica o produtor.

 

 

No Paraná, lavouras sentem impacto de chuvas em excesso

E se faltou chuva no Rio Grande do Sul, no Paraná o excesso das chuvas nessa temporada colaborou para uma série de fatores prejudiciais também. Conforme destaca o produtor João Luiz Ferri, da Fazenda Paraíso, em Campo Mourão. Segundo ele, as chuvas frequentes dessa temporada, colaboraram para o aumento de muitas pragas e doenças na soja, da região. “Esse está sendo um ano com maior incidência de doenças, como, ferrugem asiática e mofo branco. Óbvio que isso também está ligado a alguns produtores que fazem um manejo mais fraco ou errado e daí aumenta a pressão de doenças em algumas regiões, mas isso também é resultado das chuvas em excesso que tivemos”.

João relata que em comparação com o ano passado, precisou aumentar a quantidade de aplicação de fungicidas na lavoura. “Em dois lotes foi preciso aplicação extra. Tivemos áreas com quatro ou cinco aplicações, enquanto normalmente fazemos três”.

No entanto, mesmo com o aumento de doenças e pragas, o produtor destaca que de um modo geral a situação climática no Paraná, foi boa. “De maneira geral foi um ano climático muito bom. Estamos tendo problemas com o excesso de chuvas também na colheita, mas durante a safra foi um clima bom”.

Em comparação com o ano passado, ano que foi de seca também no estado, o produtor tem expectativa de uma produção maior este ano. De acordo com ele, já colheu 1/3 da área semeada.

Há algumas semanas, o Desenvolvimento Rural-Iapar-Emater (IDR-PR), apontou em um boletim agrometereológico, que o estado teve um volume de muita chuva em fevereiro, atingindo a média de precipitação de 256,4 mm. O departamento também apontou que as lavouras no Paraná, foram classificadas no último levantamento com 85% em boas condições, 12% média e 3% em estado ruim.