Seca e altas temperaturas na florada prejudicaram desenvolvimento da safra
A safra de café de 2025 no Cerrado Mineiro não deve atingir o potencial produtivo esperado pelos cafeicultores. Segundo o engenheiro agrônomo Fernando Couto, especialista do Sebrae Educampo em parceria com a Expocacer, a combinação de seca intensa e altas temperaturas no período da florada causou perdas significativas no pegamento dos frutos — um prejuízo irreversível. Apesar da recuperação visual das lavouras com chuvas bem distribuídas nos últimos meses, o impacto climático já comprometeu parte da produção.
“Tivemos um veranico de início de fevereiro até meados de março. Foi um período seco, combinado com alta temperatura, o que prejudicou no momento de granação”, explica Fernando.
Esse cenário climático adverso afetou diretamente o enchimento dos grãos, comprometendo o peso e o calibre dos frutos — fatores essenciais tanto para a qualidade quanto para o volume da produção. No entanto, a segunda quinzena de março e o mês de abril trouxeram um alívio importante para os produtores. “Foram chuvas com volume bom e bem distribuídas, que ajudaram muito no vigor das plantas e no aumento da umidade do solo”, destaca o especialista. “Hoje, olhando as lavouras, temos um vigor vegetativo considerado bom.”
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Maturação lenta e início escalonado da colheita
O ciclo do café, desde a florada até a colheita, também apresentou particularidades neste ano. A florada ocorreu tardiamente, entre os dias 20 e 22 de outubro de 2024, o que impactou diretamente o calendário de maturação dos frutos.
“Não houve uma antecipação natural da colheita. Só antecipa quem fez uso de maturadores, com o objetivo de escalonar a colheita”, observa Fernando. “A colheita vai alavancar mesmo a partir da segunda quinzena de maio, especialmente nas lavouras mais jovens e nas cultivares de ciclo precoce.”

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Expectativas ajustadas para a safra 2025
Apesar da recuperação visual das lavouras no fim do ciclo, a projeção para a safra de 2025 é de um volume abaixo do esperado. Segundo Fernando, após uma colheita 30% menor em 2024, havia expectativa de um ano de alta. Contudo, os impactos da seca intensa e das temperaturas elevadas durante o período da florada comprometeram o pegamento — etapa crucial e irreversível do processo. “Aquela perda que ocorreu lá na florada a gente não reverte mais”, afirma. “É um ano com produção abaixo do potencial que se mostrava para esta safra.”
