A queda nos preços do boi gordo marcou o ano de 2023. O grande volume de animais ofertados resultado na forte queda nos preços da arroba e nos derivados de abate.
O analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, explica o cenário ao longo dos semestres, pontuando a grande volatilidade do mercado. “O segundo e o terceiro trimestre foi um período muito ofertado e, em função disso, houve uma dificuldade de recuperação dos preços, tanto que em agosto chegamos ao fundo poço com a arroba negociada a R$ 190 em São Paulo”.
O setor começou a mostrar sinais de recuperação nos meses de setembro, outubro e novembro. Os preços da arroba alcançaram a casa dos R$ 250. Essa breve recuperação, conforme o analista, traz um certo conforto ao produtor, permitindo que os pecuaristas trabalhem com margens melhores.
Já pensando na temporada de 2024, a expectativa é positiva, mesmo sendo um ano de transição. O mercado deve sentir redução da oferta de animais de reposição, em função do grande descarte de fêmeas nessa temporada. “Mas ainda assim podemos afirmar que será um ano de grande volume de abates se tratando do Brasil”, ressalta Iglesias.
E o Brasil deve assumir protagonismo ainda maior no mercado mundial com exportações intensas. A grande questão que cerca a pauta de exportação, é a valorização da carne bovina brasileira no mercado global. “O Brasil deve bater recorde no volume de exportação, a grande interrogação é quais os preços que serão pagos pela proteína de origem animal brasileira?”
O analista pontua que além de qualidade, as questões ambientais também já refletem no mercado de carne brasileiro. Segundo ele, a pecuária nacional já trabalha pontos importantes para uma produção sustentável, como, normas de rastreio ou a integração floresta pasto. “Temos uma série de iniciativas que contribuem para a sustentabilidade da nossa produção e caminhamos a passos largos para continuar atendendo as exigências em escala global, mas se pagarem o preço justo por nossas proteínas”, reafirma.
