As enchentes atingiram o Rio Grande do Sul no início deste ano, áreas agrícolas e de pastagem seguem em situação delicada. O estado dessas áreas deve impedir a semeadura em algumas para a safra de verão.
Não há precisão em relação ao tempo estimado para a recuperação do solo atingido; no entanto, uma análise in loco de cada situação se torna extremamente necessária, já que cada área pode ter tido danos diferentes.

“Áreas que tiveram a remoção da superfície do solo enfrentam um grande problema. Na superfície é onde está localizada a maior fertilidade, maior teor de matéria orgânica, maior capacidade de troca catiônica (CTC). E aí, na verdade, para aumentarmos esses teores de matéria orgânica no solo, temos uma tarefa demorada. Então, é preciso trabalhar com uma recuperação orgânica, com plantas de cobertura e manejar isso ao longo do tempo para melhorar esse solo”, explica o engenheiro agrônomo e Doutor em Ciência do Solo, Kaio Dias.
A erosão laminar, processo de desgaste do solo, atingiu áreas de plantio de soja, milho e outras culturas. Os dados da Emater RS apontam que cerca de três milhões de hectares foram afetados no estado. A Emater estima que serão décadas para que essa recuperação seja concluída.
O cenário levou embora nutrientes essenciais da camada superficial. Kaio explica que existe uma grande necessidade dos produtores se atentarem para um diagnóstico claro e específico dessas áreas.
“Estamos falando de um trabalho de médio a longo prazo, onde será necessário investir bastante, já que o maior teor de nutrientes foi perdido, principalmente quando pensamos em fósforo, cálcio e magnésio”.
Áreas de pastagem também precisam de tempo para recuperação
A sanidade de muitos animais e as áreas de pastagem no estado também foram destruídas. A grande preocupação é que a produção animal responde por uma fatia significativa do PIB gaúcho, e muitas granjas e fazendas leiteiras foram impactadas. Nesse contexto, para as áreas de pastagem, o nível de dano também deve ser avaliado de forma precisa.

“A partir do dano que for identificado, é que as ações corretivas serão determinadas. Mas tudo vai girar em torno do aumento dos teores de matéria orgânica e da capacidade do solo de fornecer nutrientes para as plantas”, finaliza Kaio.
