Preço do suíno despenca em fevereiro de 2026, mesmo com exportações em alta

por | abr 6, 2026

Queda nas cotações pressiona poder de compra do produtor, enquanto embarques atingem recorde para o mês

O mercado de suínos iniciou 2026 sob forte pressão. Em fevereiro, as cotações do suíno vivo registraram quedas expressivas, impactando diretamente a rentabilidade do produtor.  De acordo com o Cepea (Esalq/USP), na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), a desvalorização foi de 16,1% frente a janeiro, a maior queda desde 2022.

Exportações de carne suína crescem e atingem recorde

Apesar da queda nos preços internos, o cenário externo trouxe sinais positivos.

Segundo dados da Secex:

  • As exportações de carne suína somaram 120,9 mil toneladas em fevereiro
  • Alta de 5,1% em relação a janeiro
  • Crescimento de 6,9% frente a fevereiro de 2025

O volume representa o maior já registrado para um mês de fevereiro desde o início da série histórica, em 1997.

Relação de troca piora e reduz poder de compra do suinocultor

Mesmo com avanço nas exportações, o produtor sentiu no bolso a queda nos preços.

Com a desvalorização do suíno vivo:

  • 1 kg de suíno passou a comprar apenas 3,75 kg de farelo de soja
  • Ou 6,11 kg de milho

Os dois indicadores representam os piores níveis desde 2024, evidenciando a perda de poder de compra no campo.

Carne suína ganha competitividade frente a bovina e frango

Por outro lado, a queda nos preços trouxe um efeito positivo no consumo.

Em fevereiro:

  • A carne suína atingiu o menor preço desde abril de 2024 (em termos reais)
  • O produto ficou mais competitivo frente à carne bovina e de frango

Esse movimento pode favorecer a demanda interna nos próximos meses.

O que o produtor precisa observar

O mercado de suínos apresenta um cenário misto em 2026:

  • Queda forte nos preços do suíno vivo
  • Exportações em ritmo positivo
  • Pressão sobre a margem do produtor
  • Ganho de competitividade no consumo interno