Pesquisadores da Embrapa Agroenergia estudam o uso de algas marinhas brasileiras para desenvolver um bioestimulante agrícola capaz de aumentar a tolerância de culturas ao estresse hídrico. Testes em casa de vegetação com trigo e canola cultivados no Cerrado indicaram resultados promissores.
Nos experimentos, o uso de extratos de algas proporcionou aumento de até 160% na formação de síliquas na canola, estruturas que abrigam as sementes, e crescimento radicular de até 12% no trigo. Essas características podem ajudar as plantas a manter produtividade em períodos de seca.
O estudo faz parte do projeto Algoj, desenvolvido em parceria com a empresa CBKK e com apoio da Embrapii. A iniciativa busca identificar compostos naturais das algas, chamados fitormônios, que atuam como reguladores do crescimento das plantas.
Ao todo, quatro espécies de algas marinhas da costa brasileira foram analisadas. Após os testes iniciais, dois extratos apresentaram melhor desempenho em culturas de inverno cultivadas no Cerrado, região que enfrenta estiagens prolongadas entre maio e setembro.
Segundo os pesquisadores, os resultados ainda precisam ser validados em condições de campo, já que os testes foram realizados em ambiente controlado de casa de vegetação. Mesmo assim, os dados indicam potencial para aumentar a tolerância das lavouras ao déficit hídrico.
Além do impacto agronômico, a pesquisa também pode estimular a cadeia produtiva de algas no Brasil, gerando novas oportunidades de renda a partir da biodiversidade marinha. Os próximos passos do projeto incluem experimentos em lavouras comerciais para definir dosagem e forma de aplicação do bioestimulante.
Foto: Agnaldo Chaves
