China impõe tarifa adicional de 55% à carne bovina importada e afeta exportações brasileiras

por | jan 5, 2026

A China anunciou a aplicação de uma tarifa adicional de 55% sobre as importações de carne bovina que ultrapassarem as cotas anuais estabelecidas para grandes países fornecedores, entre eles Brasil, Austrália e Estados Unidos. A medida tem como objetivo proteger os produtores chineses, em um cenário de excesso de oferta no mercado interno e pressão sobre os preços locais.

Medida busca conter impacto das importações no mercado doméstico

A decisão foi divulgada na quarta-feira (31), último dia de 2025, e integra um novo conjunto de medidas de salvaguarda adotadas pelo governo chinês. Na prática, a cobrança extra incidirá exclusivamente sobre o volume importado que exceder o teto anual por país, elevando significativamente o custo de entrada da carne bovina acima do limite permitido.

Segundo o Ministério do Comércio da China, o crescimento das importações nos últimos anos prejudicou seriamente a indústria pecuária nacional, tornando necessária a adoção de mecanismos de controle.

Quando a nova regra entra em vigor e por quanto tempo

A tarifa adicional começou a valer em 1º de janeiro de 2026 e tem vigência inicial de três anos. Durante todo esse período, o sistema de controle por cotas será mantido, com possibilidade de ajustes anuais nos volumes permitidos.

Cotas definidas para 2026 e evolução prevista

Para 2026, a cota total de importação dos países incluídos nas medidas foi fixada em 2,7 milhões de toneladas. Esse volume se aproxima do recorde histórico de 2,87 milhões de toneladas importadas em 2024 e, segundo o governo chinês, tende a aumentar gradualmente nos anos seguintes.

No entanto, os níveis iniciais de cota foram definidos abaixo do volume importado nos primeiros 11 meses de 2025 por alguns fornecedores, incluindo Brasil e Austrália, o que amplia o risco de aplicação da tarifa adicional ao longo do ano.

Como o Brasil é afetado pelas novas regras

O Brasil, um dos principais fornecedores de carne bovina para o mercado chinês, passa a ser impactado sempre que suas exportações ultrapassarem a cota anual estabelecida. Nesse caso, o volume excedente ficará sujeito à tarifa adicional de 55%, o que reduz a competitividade do produto brasileiro acima do limite autorizado.

Portanto, o efeito direto da medida não é uma proibição das importações, mas um desestímulo econômico ao envio de volumes acima da cota, forçando ajustes na estratégia comercial dos exportadores.

O que pode mudar no mercado a partir de 2026

De acordo com analistas, a tendência é de redução das importações chinesas de carne bovina a partir de 2026, especialmente nos momentos em que as cotas forem atingidas. Para Hongzhi Xu, analista da Beijing Orient Agribusiness Consultants, a medida deve contribuir para um arrefecimento da demanda externa, ainda que não resolva os desafios estruturais da pecuária chinesa.

Segundo ele, a produção bovina na China é menos competitiva quando comparada à de países como Brasil e Argentina, e essa diferença não pode ser revertida no curto prazo apenas com avanços tecnológicos ou reformas institucionais.

Cenário reforça necessidade de estratégia comercial

Em conclusão, a decisão da China de impor uma tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina importada acima das cotas representa uma mudança relevante no comércio internacional da proteína animal. Com vigência a partir de 2026 e duração de três anos, a medida tende a influenciar volumes, preços e destinos das exportações, exigindo maior planejamento, diversificação de mercados e leitura geopolítica por parte dos países fornecedores, especialmente o Brasil.