Cadeia da soja e biodiesel em 2024: indústria cresce, mas PIB recua com quebra de safra

por | abr 28, 2025

A cadeia produtiva da soja e do biodiesel apresentou resultados mistos em 2024, segundo estudo do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

Enquanto a indústria de insumos cresceu 3,98% e a agroindústria avançou 2,81%, puxada pelo expressivo crescimento da indústria de biodiesel (20,45%), o PIB da cadeia da soja e biodiesel registrou queda de 5,03% em relação a 2023. O recuo foi atribuído principalmente à quebra da safra de soja, que impactou negativamente os agrosserviços.

Apesar da retração, especialistas destacam que o resultado de 2024 vem após uma expansão histórica de 23% em 2023. Com isso, o setor alcançou o segundo maior volume de PIB de sua história, ficando atrás apenas do recorde do ano anterior.

PIB: renda e participação no agronegócio

No quarto trimestre de 2024, houve uma melhora na renda real da cadeia da soja e do biodiesel, favorecida pela valorização dos preços do grão, do óleo de soja e do biodiesel. Ainda assim, o PIB-renda caiu 3,27%, totalizando R$ 650,4 bilhões, ante R$ 672,4 bilhões em 2023. Mesmo com essa queda, o valor de 2024 superou os níveis registrados antes da pandemia.

O PIB da cadeia representou 23,8% do PIB do agronegócio brasileiro e 5,5% do PIB nacional em 2024. O PIB gerado por tonelada de soja produzida e processada (R$ 8.108) foi 4,67 vezes superior ao da soja exportada diretamente (R$ 1.738).

Mercado de trabalho no agronegócio

O mercado de trabalho da cadeia produtiva da soja e biodiesel registrou retração de 3,2% em 2024, com 2,26 milhões de trabalhadores ocupados. As reduções foram mais intensas nos agrosserviços e na produção primária (soja), enquanto a agroindústria cresceu 20,71% no número de empregos, impulsionada pela maior produção de rações e biodiesel.

Apesar de ser o segmento que mais emprega, os agrosserviços apresentaram queda de 4,98% no número de pessoas ocupadas. Isso refletiu a quebra da safra 2023/24, que reduziu a demanda por serviços. Em contrapartida, cresceu a contratação de profissionais com ensino superior, indicando uma tendência de qualificação no agronegócio.

Exportações de soja e biodiesel

As exportações da cadeia da soja e do biodiesel somaram 124,10 milhões de toneladas em 2024, uma redução de 2,54% em relação a 2023. Em valores, a queda foi mais acentuada, de 19,69%, totalizando US$ 54,25 bilhões. Essa diminuição se deveu à menor produção nacional e à queda dos preços internacionais da soja, impactados pelo excesso de oferta global.

A China manteve-se como principal destino das exportações, absorvendo 59% do volume total, com destaque para a soja em grão (73,4%) e o glicerol (78,7%). Para o óleo de soja, a Índia liderou as compras, enquanto o farelo teve como principais mercados a União Europeia, o Sudeste Asiático, o Oriente Médio e o Leste Asiático.  Por outro lado, as importações da cadeia cresceram expressivos 338,09% em volume, resultado da escassez de soja comercializável no mercado interno.