Clima e doenças devem impulsionar Páscoa salgada este ano

por | fev 28, 2025

No ano passado, a quebra na safra de cacau no continente africano impulsionou os preços da commodity no mercado global. Nesta temporada, o cenário se repete, já que as atividades da Costa do Marfim sofrem lesões com condições climáticas adversas.

Uma entrevista concedida nesta semana pelo Ministro da Agricultura daquele país reforçou a perspectiva de mais uma Páscoa com preços elevados. Isso porque a queda acentuada na produção de cacau na Costa do Marfim – maior produtor mundial de frutos – e em Gana, o segundo maior, deve contribuir para novos aumentos nos preços internacionais, podendo até atingir patamares recordes.

Segundo a agência Reuters, ainda é cedo para previsões definitivas sobre a safra atual, mas a tendência é de nova quebra, assim como ocorreu no ano passado. Por outro lado, há uma expectativa mais otimista entre os produtores, já que as chuvas recentes devem trazer algum intervalo para a safra anual, que ocorre entre abril e setembro, após a principal colheita desses países.

Doenças e replantio do cacau africano

Além do clima, as doenças que afetam os trabalhos de cacau também preocupam os produtores. O alto índice de plantas doentes levou a Costa do Marfim a adotar medidas como o replantio e a implantação de agroflorestas, na tentativa de aumentar o potencial produtivo das produtividades.

Mesmo com a valorização do cacau no ano passado, os produtores não se capitalizaram. No Brasil, isso ocorreu devido à baixa produção em grande escala. Já no continente africano, um dos principais desafios foi o contrabando de grãos, agravado pelo preço fixo pago aos cacauicultores, que fica bem abaixo do valor de mercado. Estimativas apontam que até 200 milhões de toneladas de cacau podem ter sido exportadas ilegalmente para países vizinhos.

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Custo do chocolate encarece a Páscoa no Brasil

Além da alta no preço do cacau, o valor do chocolate também disparou. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o chocolate acumulou um aumento de 11,9% nos últimos 12 meses, encerrados em dezembro de 2024. Esse cenário coloca em alerta os consumidores que desejam apresentar com ovos de Páscoa, já que a inflação no setor de alimentos promete impactar diretamente os preços dos produtos sazonais.

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