LEITE: preço pago ao produtor registra queda novamente em novembro

por | jan 21, 2025

Pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, revelou que o preço do leite captado em novembro foi de R$ 2,6374 por litro (“Média Brasil”), representando um recuo de 6,4% em relação ao mês anterior. No entanto, em termos reais, houve uma alta significativa de 25,9% frente a novembro de 2023, com valores deflacionados pelo IPCA de novembro. Esse movimento de desvalorização do leite cru é atribuído à progressão da safra, que aumentou sazonalmente a oferta no campo, tendência que pode se manter em dezembro.

De acordo com as estimativas do Cepea, a média de preços em 2024 deverá girar em torno de R$ 2,60 por litro, um crescimento de aproximadamente 1% em relação à média de 2023, em termos reais. Apesar disso, os preços em 2024 apresentaram um comportamento distinto: o que se destacou foi a manutenção da tendência de valorização do leite cru até o final do terceiro trimestre. Essa dinâmica foi impulsionada pelo crescimento lento da oferta no campo.

Mesmo com certa estabilidade nos custos de produção e aumento das margens dos produtores em 2024, o setor não alcançou o estímulo esperado. O clima extremo, especialmente entre o segundo e o terceiro trimestres, foi um fator decisivo que afetou negativamente a atividade. Por outro lado, o consumo permaneceu firme na maior parte do ano. No final da entressafra, a redução expressiva dos estoques de lácteos contribuiu para prolongar a valorização dos preços. No entanto, com as chuvas da primavera, a qualidade e a quantidade das pastagens melhoraram, favorecendo o aumento da produção e revertendo a tendência a partir de outubro.

Essa queda nos preços do leite no campo também influenciou as cotações dos derivados lácteos. Em novembro, pesquisa do Cepea realizada em parceria com a OCB indicou forte desvalorização do UHT no atacado paulista, enquanto os preços da muçarela e do leite em pó registraram baixas mais moderadas. Além disso, com estoques elevados de derivados, as importações de lácteos estabilizaram em novembro, totalizando 209,5 milhões de litros em equivalente leite, enquanto as exportações cresceram 5,8%, alcançando 4,8 milhões de litros em equivalente leite.

Embora tenha ocorrido um aumento pontual na captação do leite cru, é possível que, no balanço de 2024, o crescimento da oferta permaneça próximo de 2%. Isso se deve ao avanço nos custos com nutrição animal e à queda no poder de compra do pecuarista, que continua sendo um dos principais desafios para 2025. Nesse cenário, a projeção é que a produção em 2025 cresça entre 2% e 2,5%. Um crescimento acima disso dependerá de uma recuperação significativa da oferta já no primeiro trimestre de 2025, o que estará diretamente condicionado às condições climáticas.