Mercado da soja e do milho: colheita acelerada nos EUA e projeções para o Brasil

por | out 4, 2024

O mercado da soja e do milho está em ritmo acelerado, impulsionado pela colheita nos Estados Unidos e pelas expectativas sobre as safras brasileiras. O analista de mercado Vlamir Brandalizze, em entrevista, comentou os fatores que estão influenciando essas commodities no cenário internacional e nacional, destacando pontos importantes para os produtores e investidores.

Soja: colheita americana e o impacto no mercado global

Nos Estados Unidos, a colheita de soja está adiantada, com cerca de 33% a 35% já colhido, superando a média usual de 26% a 27% para este período. Segundo Brandalizze, as boas produtividades das lavouras americanas, somadas à valorização do dólar frente a outras moedas, estão pressionando os preços em Chicago. Além disso, o aumento do preço do petróleo, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, também reflete nos custos de produção, elevando os gastos com fertilizantes e defensivos agrícolas.

Mesmo com essas pressões, o analista ressalta que as exportações de soja seguem fortes. Embora o ritmo de embarques de outubro possa desacelerar, é esperado que o acumulado anual fique acima do recorde histórico de 2023, com projeção de 90 milhões de toneladas embarcadas até o final do mês. “A soja embarcada já está fluindo bem, e os contratos antigos seguem firmes, embora haja poucos contratos novos”, afirmou Brandalizze.

No Brasil, o plantio da nova safra de soja está ganhando ritmo. Com cerca de 4% já plantado no nível nacional, regiões como Paraná e Mato Grosso começam a intensificar os trabalhos, à medida que as chuvas chegam. No entanto, o plantio está um pouco abaixo da média, com aproximadamente 26,5% da safra negociada até o momento, frente aos 30% típicos para o período.

Milho: colheita nos EUA e boas perspectivas para o Brasil

A colheita de milho nos Estados Unidos também avança rapidamente, com cerca de 33% a 35% das áreas já colhidas e mais de 80% das lavouras em estágio avançado de maturação. Assim como no mercado de soja, o milho sofre influência da valorização do dólar e do aumento do preço do petróleo, que beneficia a produção de etanol nos EUA, grande consumidor de milho.

No Brasil, a B3 registrou leve pressão positiva nos preços do milho, mesmo com a volatilidade de Chicago. A demanda interna, impulsionada pelos setores de ração e etanol, está aquecida, e os portos estão buscando milho para completar navios, com valores entre R$ 66 e R$ 67 por saca. O plantio da safra de milho no Sul do Brasil também está em ritmo acelerado, com 70% das lavouras já plantadas, embora o excesso de chuvas esteja atrapalhando o avanço em algumas regiões, como no Rio Grande do Sul.

Para 2025, a expectativa é de um mercado de milho mais firme, com preços elevados, beneficiando os produtores que tiverem produto disponível. O analista de mercado, Vlamir Brandalizze destaca que o milho segue com fundamentos positivos, tanto no cenário internacional quanto no mercado brasileiro.