Indicações Geográficas impulsionam produtos da agroindústria brasileira

por | set 5, 2024

Setor cafeeiro combina IG e terroir para alcançar novos mercados

Um estudo recente do Sebrae do Rio Grande do Sul, mostrou o valor das Indicações Geográficas no Brasil. Segundo pesquisa realizada sobre itens que possuem indicação, a maioria possui potencial de aumentar o valor de mercado em até 50%.

Como as restrições geográficas impactaram o setor cafeeiro?

Um dos setores que mais tem usados das Indicações Geográficas é o café. O setor cafeeiro no Brasil possui 14 registros de Indicação de Geográfica, sendo nove de Indicação de Procedência (IP) e cinco de Denominação de Origem (DO).

As áreas de DO para o café no Brasil são: Cerrado Mineiro, Mantiqueira de Minas, Caparaó, Montanhas do Espírito Santo e Matas de Rondônia. E as áreas de IP do café são: Cerrado Mineiro, Campos das Vertentes, Matas de Minas, Espírito Santo, Norte Pioneiro, Alta Mogiana, Região do Pinhal, Região da Garça e Oeste da Bahia.

Gráfico da BSCA – Associação Brasileira de Cafés Especiais, aponta indicações geográficas do café brasileiro

O Presidente do Centro do Comércio de Café de Minas Gerais (CCCMG), Ricardo Schneider, afirma que existe um mercado específico, curioso para entender a origem do café e os métodos como é produzido.

“As periodicidades são uma forma interessante de criar novos meios de comercializar o café. Precisamos ter cuidado, porque é preciso entender a função do IG em cada mercado. Alguns mercados não vão se atentar para isso, mas em casos de cafés especiais, lotes de origem único, para serem comercializados diretamente ao mercado do consumidor, agregam bastante”, explica Ricardo Schneider.

Para a cafeicultura as indicações geográficas tem servido de impulsionamento para o consumo de cafés especiais

As indicações geográficas movimentaram fortemente o mercado de café nos últimos anos, somando-se ao consumo maior de cafés especiais, combinando origem e terroir.

“Estamos falando de características únicas de determinada região. Situação que nos possibilita uma forma direta de comercialização e temos um mercado diverso no café, essas iniciativas alcançam bons compradores”, pontua Ricardo.

Impacto em outros itens da agroindústria brasileira

O Brasil possui 118 IG’s, o estado do Rio Grande do Sul foi o pioneiro nesse contexto, com 13 restrições, sendo duas interessantes junto com Paraná e Santa Catarina. Pelo Brasil itens como, o queijo da Canastra, o cacau do Pará, o guaraná da Amazônia, as cachaças, os vinhos e o café de Minas Gerais, possuem certificação de origem.

No entanto, o valor agregado não é apenas para os produtos, mas também para essas regiões, que ganham com o fomento do turismo gastronômico, rural e cultural construído pela cadeia da agroindústria.