Embrapa desenvolve protocolo para intensificação sustentável da pecuária de corte

por | ago 2, 2024

A Embrapa desenvolveu um protocolo que auxilia na avaliação de oportunidades de intensificação de sistemas de produção de gado de corte a pasto, enfrentando um dos principais desafios do setor: a redução de impactos ambientais negativos. A análise de gap de produtividade permite estimar a diferença entre a produtividade atual e a potencial de uma determinada cultura, identificando oportunidades para atender ao aumento projetado na demanda por produtos agrícolas e apoiando a tomada de decisões em pesquisa, políticas públicas, desenvolvimento e investimento.

O protocolo foi aplicado para estimar ganhos de produtividade em sistemas de gado de corte a pasto no Brasil Central. “O protocolo avalia a capacidade de suporte do pasto por meio de dois indicadores: lotação máxima e lotação crítica”, explica Patrícia Menezes Santos, coordenadora do estudo e pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste. Este método produz simulações de produção de pastagens e taxas de lotação animal, e também estima o risco climático associado à disponibilidade de alimentos para o gado.

Segundo Santos, há lacunas na capacidade de suporte da pastagem devido às interações entre componentes climáticos, solo, vegetais e animais do sistema. “O método que desenvolvemos permitiu identificar os principais fatores que limitam a produção de forragem e a capacidade de suporte da pastagem sob diversas condições ambientais e níveis tecnológicos”, informa. A produção sazonal de forragem apresenta desafios, pois as demandas nutricionais dos animais precisam ser atendidas durante todo o ano. “Alta produtividade em uma determinada estação não pode ser transferida para períodos de seca, a menos que práticas de conservação de forragem sejam adotadas”, explica Luís Gustavo Barioni, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital.

Os resultados do estudo mostraram lacunas de produtividade e oportunidades para intensificar a produção de gado de corte a pasto, informações que podem subsidiar o planejamento e as políticas públicas. Em áreas de alto risco climático, é importante evitar taxas de lotação que resultem em diferenças estreitas entre o acúmulo de forragem e a demanda dos animais. O protocolo também pode informar o seguro rural associado à produção de gado a pasto, como no Zoneamento de Risco Climático Agrícola para a bovinocultura de corte, aprovado pelo Ministério da Agricultura.