Pesquisa mostra avanços e falta de confiança do produtor em adquirir produtos online
Do plantio da soja até a atividade pecuarista, a tecnologia está presente. Há muito tempo a inchada deixou de ser o principal instrumento do produtor rural. Os tempos são outros, e abraçada as inovações constantemente, a agricultura brasileira têm alçado novos patamares através do meio digital.
Uma pesquisa recente realizada pela consultoria Mckinsey, apontou que 71% dos produtores no Brasil, utilizam meios digitais para a compra de insumos ou maquinários agrícolas. E desse total, 42% prefere os métodos online. Entre os anos de 2020 e 2022, a pesquisa entrevistou dois mil produtores. E apesar dos bons indicativos, outro dado relevante é que a maioria dos produtores afirmaram não confiar nos processos de compras com autoatendimento online.
Agro digital, o que é?

E essa talvez seja a pergunta de muitos produtores, afinal de contas, os bons índices de produtores fazendo uso de tecnologias em campo, apesar de excelentes, ainda são considerados pequenos em comparação com o grande volume de produtores rurais no Brasil.
A agricultura digital se trata do uso de tecnologias digitais em várias etapas de produção, e com a finalidade de otimizar custos, aumentar a produtividade e facilitar o processo produtivo, além cooperar para boas práticas socioambientais. Segundo a Embrapa, o Brasil já vivencia a agricultura digital, no entanto, ela é mal distribuída e está direcionada para produtores que trabalham com as principais commodities agrícolas do país.
“Estamos falando de um acesso apenas para uma pequena parcela de produtores de maior poder econômico”, explica o pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, Ivan Bergier Tavares de Lima”.
E alguns desafios colocam os produtores em situação delicada, um deles, é a capacitação profissional. Essa é uma carência que o mercado começa a sentir e tentar solucionar. A mão de obra em muitas cadeias tem se tornado um verdadeiro problema, assim como a necessidade de mais organização e a inclusão digital.
Outros pontos que também desafiam o produtor a padronização de dados e a operação na produção agropecuária, assim como a disponibilidade de acesso à internet.
E apesar dos desafios, a agricultura digital já é considerada o caminho que o agro brasileiro deve tomar nos anos a seguir, visto que o aumento da produtividade é uma das entregas da digitalização dos processos agropecuários. “É possível incluir ganhos de eficiência do processo produtivo, em adição aos ganhos de sustentabilidade (agregação de valor) por meio do aumento da transparência e acessibilidade à informação”, ressalta o pesquisador Bergier.
Estamos prontos?
Temos muitos produtores de commoditie vivenciando a agricultura digital, mas a grande pergunta é, como e quando isso deve chegar em todos os modelos produtivos do país? Para o pesquisador Bergier, o Brasil ainda não está preparado para atingir esse patamar. E a conectividade rural é um dos gargalos que demanda de tecnologias de comunicação digital de baixo custo.
“No entanto, a conectividade sozinha não resolve. Há clara necessidade de investimento em capacitação técnica de agentes públicos e privados. O Instituto CNA/Senar pode desempenhar papel de relevo neste processo via agentes multiplicadores em campo, juntamente com a iniciativa privada, a Embrapa e outros órgãos públicos intersetorialmente interessados na geração e acesso a dados agropecuários (IBGE, Serpro, MCom, MCTI, MDIC, MMA, MAPA, MDA, etc.)”, ressalta.
Vale destacarmos que mundialmente, as pesquisas apontam que o Brasil, é o país que mais utiliza meios digitais para desenvolver suas atividades agropecuárias.
