Foi lançado nesta semana a marca Café da Canastra, no município de Capitólio. Localizada na região Oeste e Sul de Minas, a Serra da Canastra é mundialmente conhecida pela excelência em produção de queijos artesanais, e agora também será conhecida pela produção de cafés especiais.
O lançamento da marca especial Café da Canastra, aconteceu através da Associação dos Cafeicultores da Canastra (Acanastra) em parceria com o Sebrae. Anualmente a Serra da Canastra produz cerca de 750 mil sacas de café de 60 kg. A região conta com mais de 1,1 mil propriedades e um total de 33 mil hectares de áreas plantadas para a produção de cafés especiais.
São dez municípios que compõe a região produtora: Pinhuim, Bambuí, Capitólio, Delfinópolis, Doresópolis, Medeiros, Pimenta, São João Batista do Glória, São Roque de Minas e Vargem Bonita.
Segundo o Sebrae a ideia é fortalecer a marca dos cafés especiais dessa região. O Presidente do Sebrae, Marcelo de Souza e Silva pontuou o esforço dos produtores nos últimos meses para promover a marca. “Nosso trabalho consiste em nos unirmos com os produtores para fortalecer e fazer com que essa marca seja reconhecida, não apenas em todo o Brasil, mas no mundo inteiro, como um café de qualidade diferenciado da nossa região”.

E assim como para a produção de queijos, se tratando dos cafés especiais, as características climáticas e o terroir da região foram fatores fundamentais que influenciaram para o fortalecimento do surgimento da marca.
E nesse processo a qualidade dos grãos está diretamente associada a essas características locais. Segundo o Presidente da Associação – Acanastra, José Carlos Bacílio, o reconhecimento da marca, foi realizado a partir de um diagnóstico que identificou as características regionais e as peculiaridades do café. “Trabalhamos com os produtores, orientando e auxiliando na definição do território, na construção da marca e, a partir de agora, faremos todo o trabalho de comunicação da Canastra, divulgando nosso produto, nossa história e nossa interação com esse ambiente”.

Claudeir Carlos de Araújo é cafeicultor no município de São Roque de Minas a cerca de 23 anos. Apaixonado pela cultura, Claudeir destaca os desafios que enfrentou no início dessa trajetória quando iniciou com 9 mil pés de cafés na fazenda Vale do Serrado em uma área de 500 hectares plantados. Hoje o produtor cultiva 2 milhões de pés de cafés sendo 20% dessa produção para cafés especiais.
“Nós quando viemos pra cá éramos pequenos produtor. Iniciamos com vendas de mudas de café. Chegamos na propriedade que tinha apenas 9 mil pés de café. Mas foi assim que acreditamos que este seria um lugar de futuro, um município muito promissor. Antes a região produzia 10 mil sacas de café, hoje São Roque produz mais de 200 mil sacas por ano. Com esta marca nós afirmamos que deu certo acreditar.”

O professor da Universidade Federal de Lavras, Flávio Borém, acompanhou de perto a elaboração do relatório técnico sobre a qualidade dos cafés da Canastra. E segundo ele, através de analises foi possível perceber a grandiosidade do território para produção dos cafés especiais.
“Nosso objetivo foi encontrar evidências técnicas e científicas de que a qualidade desses cafés depende exclusivamente do meio geográfico e do conhecimento humano na sua produção. Minas é incrível minas tem regiões maravilhosas como é a Canastra para os queijos e agora para o café. E neste trabalho ficou evidenciado que os cafés se distinguem pela região, pelas características regionais e pela maneira como as pessoas produzem este café.”
A marca “Café da Canastra” será gradualmente incluída nas embalagens dos produtos, assim como em materiais promocionais da região. O próximo passo será a elaboração de um plano de ação com o objetivo de regulamentar, proteger, controlar e promover a marca.
